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Internet gratuita pode sair caro: cuidado ao usar Wi-Fi público


Conexões abertas podem facilitar ataques, roubo de credenciais e exposição de dados pessoais e bancários.

Você chega ao aeroporto, a um estabelecimento comercial ou cafeteria e o celular avisa que existe uma rede Wi-Fi gratuita disponível. Quase sem pensar, você já toca em “Conectar”. Em poucos segundos, a internet funciona normalmente. O que muita gente não imagina é que essa comodidade pode abrir caminho para golpes capazes de expor senhas, dados bancários e até o controle de contas pessoais.

E esse risco está longe de ser apenas uma hipótese. Um levantamento da empresa de cibersegurança Kaspersky analisou mais de 84 mil redes Wi-Fi gratuitas em cidades-sede da Copa do Mundo de 2026 e identificou que 17% delas utilizavam criptografia fraca ou simplesmente não possuíam proteção, tornando os usuários mais vulneráveis a ataques. O estudo também mostrou que apenas 2,9% dessas redes adotavam o protocolo de segurança mais moderno, o WPA3.

Foi exatamente esse tipo de situação que viveu a estudante universitária Ana Clara Diniz, de 19 anos. Aluna do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Ana Clara aguardava uma aula na praça de alimentação de um estabelecimento comercial, em São Luís, quando decidiu aproveitar o Wi-Fi gratuito para pagar a taxa de inscrição de um evento acadêmico. Em poucos minutos, enquanto realizava a transferência pelo aplicativo do banco, percebeu que o dinheiro havia desaparecido da conta antes mesmo de conseguir cancelar a operação.

“Eu só queria resolver uma pendência rapidamente para não esquecer. Nunca imaginei que alguém pudesse invadir meu celular daquele jeito”, relata.

Embora nem todo uso de Wi-Fi público resulte em golpe, especialistas alertam que esse tipo de conexão exige cuidados redobrados.

Armadilha invisível

Segundo Antônio Reis, professor do curso de Ciência da Computação da Estácio, a principal vulnerabilidade das redes públicas está justamente no ambiente compartilhado e na ausência de mecanismos de proteção.

“A utilização de redes Wi-Fi públicas expõe o usuário a diversos riscos, como a interceptação de dados, o roubo de credenciais por meio de redes clonadas e até a instalação de vírus e outros tipos de malware”, explica.

Na prática, isso significa que informações pessoais podem ser interceptadas durante a navegação, principalmente quando o usuário acessa serviços que envolvem dados sensíveis.

Um dos golpes mais comuns é conhecido como “rede gêmea”. Nele, criminosos criam um ponto de acesso falso utilizando exatamente o mesmo nome da rede oficial de um estabelecimento. Sem perceber a diferença, a vítima se conecta à rede fraudulenta e passa a navegar por um ambiente controlado pelo atacante, que pode monitorar parte do tráfego ou induzir o usuário a informar senhas e outras credenciais.

Por isso, a orientação é evitar utilizar redes públicas para acessar aplicativos bancários, carteiras digitais, plataformas de compras, e-mails pessoais ou corporativos e sistemas que contenham informações confidenciais.

Um erro bastante comum é acreditar que uma rede se torna segura apenas porque exige uma senha fornecida pelo estabelecimento. Segundo Antônio Reis, isso nem sempre é verdade.

“Muitas dessas redes utilizam a mesma senha para todos os clientes. Além disso, o simples fato de exigir um cadastro ou uma senha não impede que criminosos criem redes falsas praticamente idênticas às originais.”

Como navegar com mais segurança

Isso significa que o Wi-Fi público deve ser evitado em qualquer situação? Não necessariamente. Para atividades simples, como consultar notícias ou pesquisar informações, ele pode ser utilizado, desde que alguns cuidados sejam adotados.

A principal recomendação do especialista é utilizar uma VPN (Rede Privada Virtual), tecnologia que cria um canal criptografado entre o dispositivo e a internet, dificultando a interceptação das informações transmitidas.

Além disso, é importante desativar a conexão automática do Wi-Fi para impedir que o celular se conecte sozinho a redes desconhecidas. Outras recomendação é navegar apenas em sites protegidos pelo protocolo HTTPS, que são identificados pelo cadeado na barra de endereços; manter a autenticação em dois fatores ativada nas contas de aplicativos e redes sociais; e desconfiar de redes com nomes muito parecidos com os do estabelecimento ou que apresentem mensagens incomuns durante o processo de conexão.

Também vale ficar atento aos alertas emitidos pelo navegador sobre certificados de segurança inválidos. Essas mensagens significam que aquele site não é confiável e ignorar os avisos pode representar risco.
A internet gratuita pode economizar alguns megabytes do plano de dados. Já um golpe virtual pode custar muito mais: dinheiro, documentos, senhas e até a tranquilidade. Antes de tocar em “Conectar”, vale a pena fazer uma pergunta simples: essa economia realmente compensa o risco?