Política

Carlos Lula cobra prisão de suspeita após agressão a doméstica grávida no MA

Deputado aciona MP, Segurança Pública e Secretaria da Mulher; PMs que atenderam ocorrência foram afastados

O deputado estadual Carlos Lula (PSB) denunciou, na tribuna da Assembleia Legislativa do Maranhão, o caso de violência contra uma trabalhadora doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses, agredida em Paço do Lumiar após ser acusada de furtar um anel que, posteriormente, foi encontrado no cesto de roupas da residência.

O caso, divulgado na noite desta terça-feira (5), ganhou repercussão após relatos de que a jovem teria sido agredida pela empregadora com a participação de um homem armado. Durante pronunciamento na Assembleia, Carlos Lula classificou o episódio como “brutal” e anunciou medidas para cobrar responsabilização dos envolvidos e proteção imediata à vítima.

Ao relatar o caso, o parlamentar citou trechos de áudios atribuídos à suspeita da agressão. “Sem essas palavras, nada do que eu vou pedir aqui em seguida fará sentido”, afirmou. Em seguida, reproduziu uma das falas que, segundo ele, demonstram a gravidade da situação: “Eu disse que era para ter ficado era mais. Não era nem para ter saído viva”.

Para Carlos Lula, o caso ultrapassa a violência física e expõe falhas graves no sistema de proteção às mulheres. O deputado também cobrou esclarecimentos sobre a atuação policial, após denúncias de que uma viatura esteve no local sem conduzir a suspeita.

“Quero saber o nome da equipe, a unidade responsável e se a Corregedoria já foi acionada para apurar essa conduta”, declarou.

PMs afastados

Após a repercussão do episódio, a Polícia Militar do Maranhão afastou os policiais que atenderam a ocorrência. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a agressora teria afirmado que não foi conduzida à delegacia porque “conhecia um policial”.

O caso passou a ser investigado também pela Corregedoria da corporação.

A decisão de afastamento ocorreu após pressão pública e cobranças de autoridades e movimentos sociais diante da gravidade das denúncias.

Ofícios pedem prisão preventiva

Durante o discurso, Carlos Lula informou que encaminhou três ofícios a órgãos públicos cobrando providências urgentes.

O primeiro foi enviado ao Ministério Público do Maranhão, solicitando análise para pedido de prisão preventiva da suspeita.

“Quem afirma em áudio que a vítima ‘não era nem para ter saído viva’ precisa ser investigado com rigor. Não é uma fala compatível com alguém que possa responder sem medidas cautelares”, afirmou.

O segundo documento foi encaminhado à Secretaria de Estado da Segurança Pública, com pedido de proteção à vítima e investigação sobre a atuação policial no caso.

Já o terceiro ofício foi direcionado à Secretaria de Estado da Mulher, solicitando acolhimento integral da jovem, incluindo apoio psicossocial, proteção institucional e acompanhamento pré-natal pela rede pública de saúde.

Violência contra trabalhadoras domésticas

Ao encerrar o pronunciamento, Carlos Lula destacou a vulnerabilidade histórica enfrentada por trabalhadoras domésticas no Brasil e afirmou que o caso exige resposta firme do Estado.

“O Maranhão não pode naturalizar violência contra mulher, ainda mais contra uma jovem grávida e em condição de vulnerabilidade social. O Estado precisa proteger essa vítima e garantir que haja responsabilização”, afirmou.

O caso segue sob investigação.