Justiça mantém prisão de pastor suspeito de abusos contra fiéis em Paço do Lumiar
A Justiça decidiu manter a prisão preventiva do pastor David Gonçalves Silva, investigado por suspeita de liderar um esquema de agressões físicas e punições psicológicas contra frequentadores de uma igreja em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís.
De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), o investigado será encaminhado a uma unidade prisional, onde permanecerá à disposição do Judiciário enquanto o caso segue em apuração.
As investigações estão sob responsabilidade da Polícia Civil do Maranhão, por meio da Delegacia Especial de Paço do Lumiar.
Segundo o órgão, o processo ainda está na fase de coleta de depoimentos, com vítimas e testemunhas sendo ouvidas. A corporação informou que novas informações devem ser divulgadas apenas no momento oportuno, para não prejudicar o andamento do inquérito.
O pastor foi preso na sexta-feira (17), durante a operação denominada “Falso Profeta”. Ele é suspeito de utilizar a estrutura da igreja Shekinah House Church para submeter fiéis a castigos físicos e práticas de violência psicológica.
Conforme as apurações, o líder religioso também é investigado por crimes como estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa. Relatos colhidos pela polícia indicam a existência de um sistema organizado de punições dentro da instituição religiosa.
Uma das vítimas afirmou que ingressou na igreja ainda adolescente, em busca de apoio, mas acabou vivendo anos de abusos. Segundo o depoimento, a experiência deixou consequências emocionais duradouras.
O delegado Sidney Oliveira, responsável pelo caso, informou que a investigação teve início há cerca de dois anos, após denúncias feitas por ex-integrantes da igreja. Até o momento, entre cinco e seis possíveis vítimas já foram identificadas, e há registros de pessoas ouvidas também em outros estados, como Pará e Ceará.
A defesa do pastor declarou, em nota, que ainda não teve acesso ao conteúdo completo do processo e, por isso, não irá se manifestar neste momento.