Mortes em acidentes de moto crescem 28% no Maranhão em oito anos
Estado passou de 730 óbitos em 2017 para 934 em 2025. Neste ano, já foram registradas 282 mortes
O Maranhão registrou aumento de 27,9% nas mortes relacionadas a acidentes envolvendo motocicletas em oito anos. O número de óbitos passou de 730, em 2017, para 934, em 2025. A diferença é de 204 vidas perdidas no período. Em 2026, até o mês de maio, já haviam sido contabilizadas 282 mortes. Os dados são do Monitora Saúde, serviço de acompanhamento de indicadores da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão.
As principais vítimas, de acordo com as estatísticas, são homens e adultos jovens. Este ano, o maior número de óbitos foi registrado na faixa etária de 20 a 29 anos de idade. Vale ressaltar, ainda que 31 das mortes foram de crianças e adolescentes, entre 10 e 19 anos.
Os sinistros envolvendo motocicletas raramente decorrem de uma causa única. A combinação de fatores como velocidade incompatível com a via, consumo de álcool, desrespeito às regras de circulação, falhas mecânicas, condições da pista, baixa visibilidade e conflitos com outros veículos pode levar a ocorrências graves. Dados da Polícia Rodoviária Federal apontam que, nas rodovias federais de todo o país, os sinistros com motocicletas aumentaram 13,7% entre 2023 e 2024, passando de 27.755 para 31.571 registros. No mesmo período, também cresceram os números de feridos e mortos entre ocupantes de motos.
PRIMEIROS SOCORROS
Embora medidas de prevenção sejam fundamentais, os primeiros minutos após um acidente também exigem atenção. O professor do IDOMED São Luís, Bismarck Ascar Sauaia, habilitado em primeiros socorros, explica que a primeira atitude de quem presencia uma ocorrência deve ser acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193, conforme a gravidade e as condições do local.
“Em acidentes com motocicletas, a pessoa pode apresentar lesões internas, traumatismos e danos na coluna que não são visíveis de imediato. Por isso, a prioridade é evitar intervenções improvisadas e manter a vítima segura até a chegada de profissionais capacitados”, afirma.
A recomendação inicial é verificar se a vítima está consciente e respirando. Caso ela esteja respirando, não deve ser movimentada, salvo se houver risco imediato, como incêndio, explosão ou perigo de novos atropelamentos. “A orientação é especialmente importante em acidentes de moto, nos quais há maior possibilidade de trauma na cabeça, pescoço e coluna”, explica o professor.
O capacete também não deve ser retirado. A remoção só é indicada quando a vítima não respira ou quando é indispensável para a realização de reanimação cardiopulmonar (RCP). Mesmo nessas situações, o procedimento deve ser feito preferencialmente por pessoas treinadas, pois a retirada inadequada pode movimentar a região cervical e agravar possíveis lesões.
Em caso de sangramento externo, a conduta indicada é fazer compressão direta no local com gaze, pano limpo ou tecido disponível. Não se deve tentar retirar objetos encravados, reposicionar ossos ou improvisar procedimentos. Também não é recomendado oferecer água, alimentos ou medicamentos, nem permitir que a vítima se levante ou caminhe.
Enquanto o socorro não chega, quem está no local pode proteger a vítima do frio, conversar de forma calma e observar alterações na respiração ou no nível de consciência. Se a pessoa estiver consciente, respirando normalmente e não houver suspeita de trauma grave que impeça a movimentação, a posição lateral de segurança pode ser considerada. “Em acidentes de motocicleta, no entanto, a recomendação geral é preservar a imobilidade devido ao risco de lesão na coluna e seguir as instruções repassadas pela central de emergência”, orienta Bismarck.
A prevenção, por sua vez, começa antes do deslocamento: usar capacete adequado e corretamente afivelado, respeitar limites de velocidade, não conduzir após consumir álcool, realizar manutenção periódica da motocicleta e redobrar a atenção em cruzamentos são medidas que ajudam a reduzir riscos. “Diante de um acidente, a orientação é sempre a mesma: chamar ajuda especializada, evitar movimentar a vítima e não tentar substituir o atendimento profissional por ações improvisadas”, conclui.